Scrum ganha visibilidade em Portugal
De Luísa Dâmaso
Semana nº 965 de 5 a 11 de Março de 2010
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Tiago Andrade e Silva, director técnico do Grupo Fullsix Portugal |
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A formação tem contribuído para aumentar a notoriedade desta metodologia e a organização da Comunidade Scrum PT
A Fullsix levou a cabo em Fevereiro mais uma ronda de formação em Scrum. O Scrum defende uma nova abordagem, denominada ágil, para gestão de projectos que, de acordo com Tiago Andrade e Silva, director técnico do Grupo Fullsix Portugal, poderá ajudar as empresas a fazer face aos problemas actuais. «Em alturas de crise ou quando a concorrência é mais agressiva, as empresas que melhor conseguem organizar-se para cumprir prazos, diminuir o seu time-to-market ou ter menos bugs são as mais bem sucedidas», afirma este responsável.
Entre outros assuntos, a formação organizada pela Fullsix explicou o contexto ágil implícito na metodologia Scrum, formalizado em 2001 com o «Manifesto Agile», destacou as vantagens da utilização do Scrum, bem como quais os seus papéis, artefactos e procedimentos. Os formadores explicaram também como adoptar o Scrum numa nova empresa e quais os desafios em questão.
«Nesta última formação tivemos o prazer de ter connosco Jeff Sutherland, co-autor do Scrum, que partilhou um grande número de experiências e case studies da utilização de Scrum», destaca Tiago Andrade e Silva.
O director técnico do Grupo Fullsix Portugal assinala que o balanço da formação é «muito positivo» e que o feedback dos formandos também superou todas as expectativas. «Pede-se aos alunos para preencherem um inquérito de satisfação e a média de avaliação tem sido 9 numa escala até 10», esclarece o responsável.
A maior parte das pessoas que fazem as formações Scrum pertence à área de tecnologias de informação, em especial gestores de projecto e programadores, mas o interesse por esta metodologia começa também a vir de outros campos. Tiago Andrade e Silva assinala que na última sessão esteve presente um professor, que supostamente irá utilizar o Scrum para processos ligados à organização de eventos desportivos.
A Fullsix organiza esta formação desde o início de 2008, levando a cabo três a quatro ciclos de formação por ano. De acordo com o director técnico, desde a primeira sessão já foram ministrados diversos tipos de curso, entre os quais se destacam os de Certified Scrum Master e de Certified Product Owner. No mesmo âmbito, foram também realizadas formações noutras áreas, nomeadamente relacionadas com a gestão de projectos de forma ágil, tais como as de Agile Requirements Management e «Agile Estimation and Planning», bem como algumas sessões públicas de que são exemplo os cursos de Scrum for Managers e Scrum for Clients.
Tiago Andrade e Silva avançou ao Semana que estão previstos dois novos ciclos de formação Scrum na semana de 21 de Junho e no final de Setembro. Pontualmente, e a pedido, este responsável explica que «são realizadas sessões de formação e consultoria directamente a empresas».
Em simultâneo com o último ciclo de formação, a Fullsix realizou ainda a segunda reunião anual da Scrum Alliance. De acordo com Tiago Andrade e Silva, «há manifestamente cada vez mais pessoas interessadas nos métodos ágeis, em especial o Scrum».
Questionado sobre a Comunidade Scrum PT, o responsável explicou que esta não tem uma «existência formal», estando aberta a todas as pessoas interessadas em Scrum. Nesse sentido não há um número definido de membros. «Para termos uma ideia em relação aos números, existem actualmente cerca de 500 pessoas certificadas como Scrum Master e/ou Product Owner em Portugal», esclarece o director técnico.
Segundo ele, a comunidade ScrumPT pretende ser um ponto «agregador e dinamizador» da utilização de Scrum em Portugal, um objectivo que procura atingir através da organização de eventos da comunidade que permitem a partilha de experiências e criação de networking, bem como de acções de formação e certificação. A manutenção do site para partilha de conhecimentos, melhores práticas, recursos, esclarecimento de dúvidas e para o acompanhamento na adopção de Scrum são também actividades desenvolvidas pela comunidade.
«A Fullsix acredita que tem desempenhado um papel dinamizador nesta área do Scrum», salienta Tiago Andrade e Silva. Este responsável considera que o movimento ágil levado a cabo pelo Scrum apresenta uma maneira inovadora de gerir e desenvolver projectos, que pressupõe uma postura «diferente da tradicional». Segundo ele, no movimento ágil, tal como descrito no manifesto elaborado em 2001, valoriza-se mais as pessoas e as interacções entre elas do que grandes processos que predefinem o que devemos fazer a cada passo. Valoriza-se mais a entrega regular de software, do que escrever grandes documentos de especificações que normalmente não conseguem reflectir exactamente o que o cliente deseja. Valoriza-se o envolvimento directo do cliente com a equipa e o produto a desenvolver, em vez de elaborar e negociar contratos complexos entre as partes, e valoriza-se mais a capacidade de dar resposta a alterações, que são uma realidade inevitável, do que seguir um plano predefinido, que tipicamente nunca consegue reflectir a realidade, e que raramente se encontra actualizado. «Estes são os quatro pilares do manifesto ágil» defende o responsável.
No entanto, Tiago Andrade e Silva não esconde que para as empresas seguirem o manifesto ágil implica mudarem a forma de pensar. «Nesta mudança promove-se a total transparência com o cliente e a liderança muda para uma "liderança de serventia", onde as equipas são auto-organizadas, e em vez de as tarefas serem impostas são os elementos das equipas que escolhem as tarefas que melhor conseguem desempenhar», justifica o director técnico. Segundo ele, existem estudos que comprovam que quando aplicado com sucesso, o Scrum consegue «multiplicar por dois ou mais vezes a produtividade das equipas de desenvolvimento». |